
Glaucoma representa mais riscos a quem usa o telefone ao volante
30 de novembro de 2020
O glaucoma, mesmo em estágio inicial, aumenta os riscos de acidentes entre pacientes que usam o celular ao volante. Essa é uma das conclusões do estudo realizado pela médica oftalmologista Nara Ogata, que atende no Centro Boucault e que recebeu o título de doutora pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) no início deste mês. Ela já é especialista em Glaucoma também pela USP e já trabalhou em pesquisa pelas Universidades de San Diego e Duke, nos Estados Unidos. A tese defendida pela médica traz resultados para avaliação de pacientes portadores da doença que é a principal causa de cegueira irreversível no mundo.
“Avaliei a performance de condução de automóveis em pacientes portadores de glaucoma primário de ângulo aberto, avaliando fatores que atrapalham na direção e interferem na qualidade de vida dessas pessoas”, diz a médica oftalmologista, comentando que o tema não havia sido estudado até então. O estudo foi publicado na revista Jama Network Open e na Investigative Ophthalmology & Visual Science, a publicação oficial da Associação para Pesquisa em Visão e Oftalmologia (em inglês, Association for Research in Vision and Ophthalmology – ARVO). A tese envolve a avaliação da capacidade de dividir a atenção com o celular ao dirigir e da discriminação de objetos.
Segundo Nara, o estudo evidencia que o comprometimento visual do glaucoma aumenta o risco de acidentes, já que os pacientes apresentam dificuldades adicionais em distinguir objetos que estão muito próximos uns dos outros.
Ela conta que, dos 26 participantes da terceira etapa da pesquisa, metade apresentava o glaucoma e a outra metade não tinha a doença. No estudo, eles tinham que diferenciar a posição de um objeto em um monitor quando apresentado com outros itens ao redor. “Entre as pessoas com glaucoma, o efeito chamado ‘crowding’ – quando as imagens se misturam – foi bem mais pronunciado”, revela a médica.
A oftalmologista também salienta que isso foi observado até nos estágios iniciais da doença. Considerando que o glaucoma pode ser silencioso, dando sinais claros apenas quando já está em fases mais avançadas, a médica alerta para os riscos de dirigir mesmo quando a perda da visão periférica é imperceptível. “As respostas dos participantes do estudo, analisadas junto a outros parâmetros – como exames que medem a função e a estrutura do nervo óptico, demonstraram que ao dirigir os objetos podem aparecer mais embaralhados”, frisa Nara.
O estudo da oftalmologista do Centro Boucault mostrou – ainda – que o tempo de resposta do motorista com glaucoma também é afetado, conforme comprovou o experimento em um simulador de direção de alta fidelidade. Os participantes deviam seguir na faixa correta de uma estrada sinuosa enquanto o tempo de reação a estímulos visuais periféricos era analisado sem e com o uso do telefone. Com a presença do celular, eles precisavam ouvir frases emitidas pelo aparelho celular e relembrar a última palavra de cada sentença. O resultado foi que reação dos voluntários com glaucoma a objetos que surgiam na pista virtual foi significativamente mais lenta do que no grupo sem a doença.
“Quando estavam com o celular, os participantes com glaucoma apresentaram um desempenho ao volante duas vezes pior. Notamos que não só a perda de visão periférica foi afetada, mas o tempo para o indivíduo reagir e processar a imagem foi maior”, conta Nara.
Ela exemplifica que, se algum objeto entrar na frente do motorista, ele pode demorar mais para frear. Segundo a médica, o mais preocupante foi que 59% dos participantes declararam se sentir capazes de dirigir enquanto manuseavam o telefone. Diante dos resultados do estudo, a oftalmologista que atua há mais de um ano no Centro Boucault reforça a importância da avaliação médica para definir se o paciente com glaucoma deve dirigir.
“Na presença do glaucoma, o campo de visão pode já estar mais restrito. Ao dividirmos a atenção com o celular, dependemos ainda mais da visão periférica, que é justamente a mais afetada pela doença, por isso o paciente nunca deve utilizar o telefone ao volante”, reforça Nara.
Ela lembra que a legislação de trânsito já proíbe o uso do celular ao dirigir, mas faz questão de ressaltar os riscos que isso representa a quem tem glaucoma. “O maior desafio é conscientizar a população sobre a importância dos exames de rotina. Quanto antes o glaucoma for detectado, maiores as chances de controle da doença”, afirma Nara.
Por isso, não deixe de passar por consultas preventivas periodicamente, em especial se você tiver histórico de glaucoma na família Agende uma consulta no Centro Boucault, clique aqui para entrar em contato.